Vladimir Brito, um homem de leis que foi o “pai” da Constituição caboverdiana é o novo líder do Congresso de Quadros, uma herança deixada pelo seu antecessor Lucas Filipe da Cruz, fundador e precursor, ao longo de 13 anos, deste “espaço de diálogo e sensibilização” para as grandes questões de desenvolvimento e identidade cultural de Cabo Verde, marcando um condado de emigração e por isso entrando na história dos cabo-verdianos e do país.
Em breve esta organização será uma Fundação, injectada com nova seiva, e preparada para enfrentar os desafios globais com a congregação de mais quadros especializados e profissionais nos vários países da Diáspora.
O Professor, de 58 anos, que ensina Direito Internacional Público na Universidade do Minho e vive em Guimarães, prevê imprimir uma renovação permanente - embora nos representantes dos respectivos órgãos se verifique uma espécie de “baralhar as cartas e voltar a distribuir”. O funcionamento desta organização de gente qualificada terá de ser menos voluntarioso e mais profissional e a dinamização da Fundação inclui conferências, debates e eventos intercalares aos Congressos que têm vindo a realizar-se de quatro em quatro anos.
Lucas da Cruz, comovido e ovacionado por uma assistência de pé, teve consciência de que os novos tempos exigem dinâmicas agressivas e que a permanência por muitos anos num mesmo projecto, origina rotinas e a "pessoalização" dos projectos. Por isso usou a metáfora: ”quem não quer largar a cadeira do poder, acaba caindo dela!”. Disse-se angustiado por não ter tido a capacidade de realizar mais, mas convicto de ser hoje um melhor homem do que aquele que assumiu em 1993 a presidência do Congresso de Quatros Cabo-verdianos. “Sou seguramente um homem mais solidário e mais cabo-verdiano!” afirmou, remetendo esse legado para o seu sucessor de “pernas mais ligeiras, mais capacidade e mais iniciativas”.
Naturalmente que os seus mandatos terão também tido vozes discordantes, quiçá algumas à “boca pequena” porque a mesquinhez esconde o rosto, mas os factos revelam que o gestor, advogado, consultor de empresas e um dos fundadores do Banco Cabo-verdiano de Negócios, é um cidadão interventivo e respeitado e muito do seu contributo e dos quadros que com ele ergueram este projecto de “excelência” está plasmado sob a forma de conclusões e recomendações nos pequenos livros editados e relativos aos diferentes Congressos.
Lucas da Cruz terá, com certeza, muito que escrever, se quiser contar as conjunturas difíceis e cíclicas que os emigrantes cabo-verdianos enfrentaram em Portugal e de como os designados “altos quadros” espalhados pelo mundo, influenciaram decisões e politicas no desenvolvimento e eliminação de desigualdades sociais.
A decisão foi apresentada no passado dia 27, em Lisboa, numa reunião do Conselho de Delegados, constituído pelos dirigentes e representantes da Holanda, Itália, França, Estados Unidos, Brasil, Cabo Verde e Portugal.
Após a apresentação das conclusões do IV congresso que se realizou, em 2006, na Praia, um minuto de silêncio homenageou Mesquitela Lima e José Luís Borges, individualidades que deram tambem o seu contributo para que esta organização de quadros se tenha tornado uma referência.
Lucas da Cruz despediu-se num jantar amistoso que reuniu cerca de uma centena de figuras de destaque com a presença do embaixador de Cabo Verde em Lisboa, Arnaldo Andrade, e da primeira Secretária da Assembleia da República Portuguesa, a cabo-verdiana Celeste Correia.
Fonte: Jornal A Semana Online 01-02-07, por: Otília Leitão
No passado dia 27 deste mês teve lugar, em Lisboa uma reunião do Conselho de Delegados do Congresso de Quadros, órgão constituído pelos dirigentes do Congresso, incluindo os delegados da Holanda, Itália, França, Estados Unidos, Brasil, Cabo Verde e Portugal.
A reunião revestiu-se de uma particular importância que resultou do facto de, para além da sua agenda regular, se ter procedido à designação do novo Presidente do Congresso - Wladimir Brito, Professor da Escola de Direito da Universidade do Minho - e consequente recomposição dos restantes membros dos diversos órgãos, na sequência de o Dr. Lucas da Cruz ter comunicado ao IV Congresso o fim do exercício dessa sua função.
A Direcção programou um jantar, numa conhecida unidade hoteleira de Lisboa, com vista à apresentação do novo Presidente. Antes do jantar teve lugar a apresentação e distribuição do Livro com as Conclusões e Recomendações do IV Congresso.
Na sua alocução o novo Presidente apresentou a nova constituição dos diferentes Orgãos Socias do Congresso e revelou alguns dos planos que se tem em vista para o futuro.
Mesquitela Lima, como era conhecido o antropólogo natural de S. Vicente e que fisicamente nos deixou para figurar entre os Homens Grandes que estudaram o ser humano, fixou-me o seu olhar, num dia de Julho passado, quando acompanhado de Manuela, a sua companheira de sempre, me mostrava milhares de peças que consigo coabitavam e me disse que “as vidas não têm preço...” e aquela era a sua! “É um acervo que gostaria de doar a Cabo Verde, a minha primeira pátria”, confidenciou-me de rosto iluminado, enquanto me guiava pelas salas e corredores da sua casa, a uma viagem virtual pela “alma” de África, seus povos e tradições.
Ali estava a sua vida de cidadão, pelos livros, pelos retratos de homem amado, pelas vivências de docente e de conferencista, mas também pelos movimentos de rebeldia política e sobretudo pelas savanas e planaltos de Angola. Aqui viveu desde 1969, até se instalar, pós-25 de Abril, no rés-do-chão de um prédio antigo da Rua Alves Redol, voltado para a escadaria do sobe e desce estudantil do Instituto Superior Técnico de Lisboa.
É aqui que tenho as minhas peças... como as poderia guardar? encaixotadas não falavam comigo...”, explicou-me perante a minha surpresa de, mal ter entrado pela porta da cozinha, onde o professor tomava o pequeno almoço, me encontrar em pleno “museu”, transplantado na sequência da descolonização portuguesa de Angola onde criou o Museu do Dondo.
E foi através desta incursão que o neto do que foi governador de Cabo Verde em 1913, D. Bernardo Mesquitela, assumiu o papel de catedrático (jubilado da Universidade Nova e actual director do Instituto Superior de Gestão), na pesquisa da compreensão do “homo sapiens” e me transportou para uma viagem na História. Diz quem o teve como professor que “ele era sempre assim. Tinha o dom da palavra, nunca se sentava nas aulas e levava os seus alunos a sentirem-se protagonistas dos factos”.
Augusto Mesquitela Lima, que estava a escrever sobre “O Caos” (obra científica) dedicava muito do seu tempo, em palestras, conferências e eventos sobre Cabo Verde. Estudou em Portugal numa altura em que os Estudantes da Casa do Império, em Lisboa, germinavam as “independências” das colónias. Doutorou-se em França e Estados Unidos quando se viviam as experiências “inigualáveis de camaradagem”, assim dizia do “Maio 68”, chegando a estar preso por aderir a esse movimento.
Entre países de toda a África, mas também da Índia, Brasil e China, é de Angola, terra da sua mulher que predomina o povoamento que se agarrava às paredes de sua casa: “Este é o meu mundo, o ser humano e seu comportamento são a minha paixão”, dizia o professor enquanto pelo corredor, repleto de vitrinas, cheias, me apontava: “Aqui um bronze do Benim, uma peça raríssima; ali “são homens tchokoe e kioko”, acolá “huílas” de Angola”. Em seguida, indicava-me desenhos de mulheres africanas cujas tribos se distinguem pelos penteados, adornos, danças, num Continente a que se atribui a origem do ser humano, tese que o antropólogo corroborou.
A expansão museológica prosseguia em direcção à sala onde um confortável sofá e uma mesa clássica eram os únicos elementos que caracterizam um espaço para refeições em ocasiões especiais. Por todo o lado, miniaturas de peças artesanais, pinturas executadas por amigos como Kiki Lima ou Malangatana, se misturavam com outras de maior porte como a cadeira de um rei africano, os bancos de régulo, fotografias de “senhores” cuja ostentação do poder está simbolizada por um “homem grande” com óculos de ouro, mas sem lentes.
Mesquitela Lima buscava nestes objectos, sempre a reminiscência humana e até dos Imbondeiros, retratados em quadros - árvore peculiar, de copa de folhas tão pequenas e um tronco tão largo que, escavado, se torna habitação de humanos - procurou, num trabalho fotográfico, formar “uma sinfonia de seres enigmaticos”.
No escritório emergia, de montes de livros já sem espaço (perto de 30 mil), uma secretária com um computador que aguardava a memorização, sempre adiada, de todo este espólio. Entre tantos autores e temas estão também os seus mais de 30 trabalhos científicos, o primeiro dos quais, aos 19 anos, intitulado “Tatuagens da Lunda”. E na convicção de que “todo o profissional de antropologia possui algo de escritor “publicou também uma obra sobre a poesia do compositor de ascendência italiana, Sérgio Frusoni e um comentário literário sobre o manuscrito nos anos 50, para teatro, de Nhô Djunga, como era conhecido o fotógrafo João Cleofa Martins, ambos do Mindelo, sua terra natal.
Sempre por perto, aquela angolana de olhos verdes, de quem tem três filhos e uma vida de 49 anos de “cumplicidades, de bons e maus momentos”, acompanhou-o neste recuar da memória, sem tempo.
O quarto do casal, limitado a uma cama e um roupeiro, aparentava ser o repouso do “guerreiro” vigiado apenas pela vasta colecção de misteriosas máscaras ao lado das quais permanecerá, virtualmente, a sua: a de um antropólogo e investigador, um actor social que gostava de ser eterno e que deu a sua alma ao serviço do conhecimento dos povos. Que a sua obra seja pois, alimento de outros homens e mulheres Grandes.
Fonte: Jornal A Semana Online 17-01-07, por: Otília Leitão
Presidente do Congresso apresenta Conclusões do Congresso a dirigentes de Associações Cabo-Verdianas de Portugal
O IV Congresso dos Quadros Cabo-verdianos da Diáspora realizou-se na cidade da Praia, de 19 a 22 de Abril de 2006, com a participação de delegados provindos de países de emigração cabo-verdiana da Europa, América e África, bem como de quadros e diversos outros participantes residentes em Cabo Verde.
Sob o tema geral A Diáspora e o Desenvolvimento de Cabo Verde - um Desafio de Cidadania, o IV Congresso decorreu em 4 painéis e 4 workshops, tendo debatido alguns dos principais problemas e desafios que os emigrantes cabo-verdianos e seus descendentes enfrentam nos países de destino, assim como o relacionamento entre essas comunidades e entre elas e Cabo Verde. Ler tudo...
O IV Congresso dos Quadros Cabo-Verdianos da Diáspora que reuniu na cidade da Praia para cima de 500 Congressistas oriundos de uma vintena de países chegou ao fim no passado sábado, dia 22-04.
A abertura foi presidida pelo Presidente da República, Comandante Pedro Pires e para além do mais alto magistrado da Nação, falaram o Presidente do Congresso, Dr. Lucas da Cruz e o Dr. Manuel Faustino, presidente da Associação Zé Moniz, parceira do Congresso em Cabo Verde. Ler tudo...